um quasi-duelo trio sonatas para violino e violoncelo

um quasi-duelo trio sonatas para violino e violoncelo

Detalhes

2026-05-30
21:30
Mosteiro de São Bento

Sobre o concerto

 

 

Entre o final do século XVII e a primeira metade do XVIII, a trio sonata afirma-se como um espaço privilegiado de diálogo instrumental, onde as fronteiras entre acompanhamento e protagonismo se tornam cada vez mais permeáveis. Em Um quasi-duelo, violino e violoncelo confrontam-se num jogo subtil de equilíbrio, imitação e contraste, revelando a progressiva emancipação do violoncelo enquanto voz solista e interlocutora plena.

Embora a trio sonata seja um dos géneros centrais da música barroca, a combinação de violino e violoncelo como vozes superiores permanece relativamente rara e menos frequentemente apresentada em concerto do que as formações mais habituais com dois violinos ou flautas. Precisamente por isso, este repertório revela uma sonoridade singular, marcada pelo contraste tímbrico entre os dois instrumentos e pela permanente ambiguidade entre acompanhamento e protagonismo.

Das formas ainda livres e discursivas de Stradella à escrita teatral de Vivaldi, passando pela elegância francesa de Boismortier e Barrière, o programa percorre diferentes tradições europeias unidas pela ideia de conversa musical. As vozes cruzam-se, perseguem-se e respondem-se continuamente, num repertório onde a tensão entre cooperação e rivalidade se torna motor da invenção musical.

As obras para órgão solo introduzem um outro plano sonoro e histórico. Nas Variazioni sulla Follia di Spagna de Alessandro Scarlatti, a célebre progressão da Follia torna-se terreno de exploração virtuosística e invenção contínua. Já o Tiento y discurso de segundo tono de Francisco Correa de Arauxo evoca a tradição ibérica do contraponto e da escrita improvisatória, assinalando simultaneamente os 400 anos da publicação da monumental Facultad orgánica (Alcalá de Henares, 1626), uma das mais importantes coleções para teclado do século XVII europeu.

A adaptação da Trio Sonata BWV 525 de Bach encerra o programa como síntese e culminação desta tradição polifónica. Originalmente concebida para órgão, a obra faz convergir clareza contrapontística, independência das vozes e equilíbrio formal, levando ao extremo o ideal barroco de diálogo entre linhas autónomas.



Diana Vinagre | violoncelo barroco & direcção musical

Jacek Kurzydło | violino barroco

Silvia Márquez Chulilla | órgão

Partilhar

Facebook
Twitter
LinkedIn