Concerti Grossi de António Pereira da Costa
Como numa conversa envolvente, cada intérprete tem a sua palavra e responde com sensibilidade aos restantes. (…) a música vibra, e essa sensação é transmitida fisicamente ao ouvinte. O novo CD do Ensemble Bonne Corde, dirigido por Diana Vinagre, surge como uma recomendação clara para os apreciadores de música instrumental barroca.
NDR Kultur (AL) | 23 de agosto | Ulrike Henningsen
O Ensemble Bonne Corde apresenta um repertório único e encantador nos concerti grossi de António Pereira da Costa, numa interpretação altamente inspirada. Destaca-se por um belo som de conjunto, um trabalho de equipa irrepreensível e uma leveza natural e fluida. O compositor certamente teria sentido grande prazer ao ouvi-lo.
Deutschlandfunk – Die neue Platte – Alte Musik (AL) – 23 de agosto | Bernd Heyder
*Atenção! Uma raridade absoluta! Prova de que o período barroco ainda não revelou todas as suas pérolas, o conjunto dos doze Concerti grossi de António Pereira da Costa confirma a vitalidade musical de Lisboa no século XVIII, apesar de uma prática musical relativamente modesta entre a burguesia. A influência de Corelli, evidente ao longo dos concertos, é simultaneamente uma homenagem e uma tentativa de fusão estilística, pois encontramos tanto as formas emblemáticas da tradição italiana como as marcas rítmicas tipicamente ibéricas.
A parte de violoncelo em falta no manuscrito foi reconstruída por Fernando Miguel Jalôto, cravista do ensemble, e muitas incoerências ou erros de notação foram corrigidos. A realização exemplar do Ensemble Bonne Corde traz esplendor e brilho apesar das forças reduzidas, e o concertino das violinistas Sara DeCorso e Jacek Kurzydło é admirável sob todos os aspetos, fértil em diminuições imaginativas.
A relevância dos diferentes caracteres alterna entre os ritmos dançantes de uma gavota (Concerto n.º 8), os acentos quase militares da Marcia (Concerto n.º 10) e os largos suaves, efusivos e muito italianos. O ensemble delicia-se em seguir os meandros de um contraponto mais aventureiro do que o de Corelli.
É pena que o cravo absorva as subtilezas dinâmicas com arpejos medidos intrusivos — um procedimento italiano que a teorba resolve de forma mais apropriada. Esta ligeira reserva não diminui o empenho formidável do projeto, apoiado por uma gravação sonora de qualidade superlativa.*
CLASSICA – 5 ESTRELAS – fevereiro de 2024 | Philippe Ramin